Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Bela e a Crise

por Luísa Braga

A Bela e a Crise

por Luísa Braga

Sobre Trabalhar Com Crianças

como-melhorar-autoestima.jpg

 

 

Ter um centro de estudos é do caraças.

 

Há dias em que os miúdos me levam ao limite e vou para casa com vontade de chorar.

 

Outros dias, como um desta semana, relembram-me a razão pela qual abri este espaço e o porquê de me sentir tão realizada com ele.

 

As crianças precisam de amor. Precisam também de muitas outras coisas, tais como educação e boas maneiras, mas, o essencial é o amor.

 

Esta semana, chegou-me uma miúda a chorar sufocada, vinda da escola. Primeiro que a conseguisse acalmar, foi um filme. Quando ela conseguiu recuperar o fôlego, lá me disse que estava assim porque a professora disse que estava farta dela e que a ia mudar para a sala do 1º ano, porque no 2º ela não estava a corresponder ao que era exigido. Isto tudo, à frente de todos os miúdos.

 

Os colegas que chegaram com ela lá estavam muito opinativos acerca do assunto, então peguei neles todos, sentei-os numa mesa todos juntos, virados uns para os outros, e disse-lhes: "vamos conversar".

 

Perguntei-lhes se estavam familiarizados como termo "auto-estima". Uns disseram que sim, outros disseram que não. Expliquei-lhes que, quando alguém nos diz algo muitas vezes, que começamos a acreditar, mesmo que não seja verdade.

 

Contei-lhes a minha experiência. De que quando era mais nova, que era feia. Porque muita gente dizia que as minhas amigas eram mais bonitas do que eu e que, por isso, eu era feia.

 

É o caso desta miúda. Passa o dia a ouvir que é burra. Ouve isto de toda a gente. E ela de burra não tem nada. Absolutamente nada. Ela é que já acredita que é burra, porque os outros dizem que ela é.

 

Pedi-lhes que se ajudassem uns aos outros, que se defendessem, que fossem pessoas boas.

 

Digo-lhes muitas vezes que antes de professora, sou amiga deles. Que podem contar sempre comigo, para tudo.

 

É nestas alturas que penso: "caramba men, tu tens aqui a oportunidade de os moldar em algo bom e bonito para a vida". Muito mais do que bons alunos, quero que eles sejam boas pessoas.

 

E quando eles se sentam, me ouvem e participam nestes debates, eu acredito que faço um bom trabalho. Mesmo que este trabalho dure só uma semana e que para a semana eu já tenha de me zangar com eles porque fizeram algo de mal. Eles estão em constante aprendizagem.

 

E sim, é isto que me faz feliz. Mesmo que chegue ao fim do mês com menos dinheiro do que aquele que ganhava. Esta felicidade não tem preço.

 

beijinhos.

 

3 comentários

Comentar post